A reprodução é uma lei da natureza, logo, sem
ela, o mundo corporal pereceria. Esta colocação foi feita pela plêiade de
Espíritos Benfeitores quando indagados por Allan Kardec, na obra O Livro dos
Espíritos (questão 686).
A lei de reprodução está diretamente
ligada à necessidade de encarnação. A passagem dos Espíritos pela vida corporal
é necessária para que eles possam cumprir, por meio de uma ação material, os
desígnios cuja execução Deus lhes confia.
O Espírito São Luís, em comunicação
proferida em Paris, no ano de 1859, reproduzida na obra O Evangelho Segundo o
Espiritismo, relata que a encarnação é necessária aos Espíritos, para o bem
deles, visto que a atividade que são obrigados a exercer lhes auxilia o
desenvolvimento da inteligência.
Por isso, sendo Deus soberanamente
justo, tem de distribuir tudo igualmente por todos os seus filhos; assim é que
estabeleceu para todos o mesmo ponto de partida, a mesma aptidão, as mesmas
obrigações a cumprir e a mesma liberdade de proceder.
Sendo que o contrário, ou seja,
qualquer privilégio, seria uma preferência. E toda preferência, uma injustiça.
Por outro lado, o próprio Espírito
São Luís alerta que a encarnação é um estado transitório. E a tarefa dada por
Deus, quando iniciada a vida, pode ser executada ou não, em conformidade com o
uso que o Espírito fará de seu livre-arbítrio. Aqueles que a desempenharem com
zelo irão transpor rapidamente e menos penosamente os primeiros graus da
iniciação e mais cedo irão gozar dos frutos de seus labores.
Ao contrário, aqueles que usam mal da
liberdade concedida pelo Criador retardarão sua marcha e poderão prolongar
indefinidamente a necessidade da reencarnação, tornando-se um verdadeiro
“castigo”.
O
Espírito Camilo Cândido Botelho relata na obra Memórias de um Suicida, através
da psicografia abençoada de Yvonne Pereira, que após o cometimento do suicídio
e do longo período de aprendizagem no mundo espiritual tornou-se imperioso que
ele reencarnasse para cumprir tarefa assumida há muito tempo e que ele sempre acabara
por abreviar.
Foi quando tomado do sentido de dever
seguiu em frente para cumpri-la dizendo para si mesmo: “Coragem, peregrino do
pecado! Volta ao ponto de partida e reconstrói o teu destino e virtualiza o teu
caráter aos embates remissores da Dor Educadora! Sofre e chora resignado,
porque tuas lágrimas serão o manancial bendito onde se irá dessedentar tua consciência
sequiosa de paz! (...) Mas tem paciência e sê humilde, lembrando-te de que tudo
isso é passageiro, tende a se modificar com o teu reajustamento às sagradas
leis que infringiste...e aprende, de uma vez para sempre, que – és imortal e
que não será pelos desvios temerários do suicídio que a criatura humana
encontrará o porto da verdadeira felicidade”.
Abençoada seja a lei de reprodução
que nos descerra, Espíritos Imortais que somos, dia após dia, uma nova
oportunidade, para novos recomeços, em todos os confins da Terra.
José
Artur M. Maruri dos Santos
Colaborador
da União Espírita Bageense
josearturmaruri@hotmail.com
*Coluna publicada pelo Jornal Minuano, em Bagé/RS, que circulou no dia 03 de janeiro de 2014 e que também pode ser acompanhada pelo link Jornal Minuano.