quarta-feira, 14 de junho de 2017

ADVENTO DO ESPÍRITO DE VERDADE*


Um dos trechos mais belos da obra O Evangelho Segundo o Espiritismo de autoria de Allan Kardec, mas com concepção em espaços superiores, trata-se do advento do Espírito de Verdade (Cap. 6, item 6).
            
No entanto, antes de transcrevermos o trecho para que o leitor possa interpretá-lo, vale dizer que o “Codificador do Espiritismo”, Allan Kardec, em 14 de setembro de 1863 recebeu a seguinte declaração de seus guias: “Nossa ação, principalmente a do Espírito da Verdade, é constante ao teu redor, e de tal maneira, que não a podes negar. Assim não entrarei em detalhes desnecessários, sobre o plano da tua obra, que, segundo os meus conselhos ocultos, modificaste tão ampla e completamente”. Logo adiante acentuavam: “Com esta obra, o edifício começa a libertar-se dos andaimes, e já podemos ver-lhe a cúpula a desenhar-se no horizonte”.      
            
Um dos objetivos de tão magnânima obra, segundo o próprio Allan Kardec, foi o de oferecer o acesso à moral evangélica para todos, sem intermediários. Disse Kardec: “Todo o mundo admira a moral evangélica; todos proclamam a sua sublimidade e a sua necessidade; mas muitos o fazem confiando naquilo que ouviram, ou apoiados em algumas máximas que se tornaram proverbiais, pois poucos a conhecem a fundo, e menos ainda a compreendem e sabem tirar-lhe as consequências”.
            
Por outro lado, como iremos crer no ensino de Espíritos que se dizem auxiliares na interpretação das máximas evangélicas, se eles falam pela língua de homens comuns. E aí está a autoridade da Doutrina Espírita, no “controle universal do ensino dos Espíritos” – ou seja, “a única garantia segura do ensino dos Espíritos está na concordância das revelações feitas espontaneamente, através de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos lugares”.
            
Feitas tais considerações que em outra oportunidade esmiuçaremos amiúde, vamos ao trecho aludido logo no início, o advento do Espírito de Verdade em Paris, 1861:
            
Venho ensinar e consolar os pobres deserdados. Venho dizer-lhes que elevem sua resignação ao nível de suas provas; que chorem, porque a dor no Jardim das Oliveiras, mas que esperem; porque os anjos consoladores virão enxugar as suas lágrimas.
            
Trabalhadores, traçai o vosso sulco. Recomeçai no dia seguinte a rude jornada da véspera. O trabalho de vossas mãos fornece o pão terreno aos vossos corpos, mas vossas almas não estão esquecidas: eu, o divino jardineiro, as cultivo no silêncio dos vossos pensamentos. Quando soar a hora do repouso, quando a trama escapar de vossas mãos, e vossos olhos se fecharem para a luz, sentireis surgir e germinar em vós a minha preciosa semente. Nada se perde no Reino de nosso Pai. Vossos suores e vossas misérias formam um tesouro, que vos tornará ricos nas esferas superiores, onde a luz substitui as trevas, e onde o mais desnudo entre vós será talvez o mais resplandecente.
            
Em verdade vos digo: os que carregam seus fardos e assistem os seus irmãos são os meus bem-amados. Instrui-vos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas e vos ensina o objetivo sublime da prova humana. Como o vento varre a poeira, que o sopro dos Espíritos dissipe a vossa inveja dos ricos do mundo, que são freqüentemente os mais miseráveis, porque suas provas são mais perigosas que as vossas. Estou convosco, e meu apóstolo vos ensina. Bebei na fonte viva do amor, e preparai-vos, cativos da vida, para vos lançardes um dia, livres e alegres, no seio daquele que vos criou fracos para vos tornar perfeitos, e deseja que modeleis vós mesmos a vossa dócil argila, para serdes os artífices da vossa imortalidade”.

(Referências: Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Explicação por José Herculano Pires. Introdução. Cap. 06. Item 06).
             
José Artur M. Maruri dos Santos
Colaborador da União Espírita Bageense

Comente: josearturmaruri@hotmail.com

*Coluna publicada pelo Jornal Minuano, em Bagé, ainda no ano de 2015, mês de outubro.

terça-feira, 9 de maio de 2017

SETEMBRO AMARELO*


Ao nos aproximarmos do final de setembro, não poderíamos deixar de tecer algumas considerações sobre a importância da iniciativa da Associação internacional de Prevenção ao Suicídio ao adotar o mês e colori-lo de amarelo, em alerta sobre a importância das ações de prevenção.
            
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, o suicídio é responsável por 1,4% do total de mortes anualmente (cerca de um milhão). Ou seja, a cada 45 segundos, ocorre um suicídio em algum lugar do mundo, o que equivale a 1920 pessoas diariamente. Esses números ao final de um ano superam a soma das mortes causadas por homicídios, acidentes de transporte, guerras e conflitos civis. Isso sem incluir as tentativas de suicídio, que são de 10 a 20 vezes mais frequentes.
            
O Coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Roberto Tykanori, conta que a rede de atenção é fundamental para prevenção das tentativas de suicídio “Os dados gerais de epidemiologia do suicídio mostram que mais da metade das pessoas que cometem o ato tem um histórico anterior de transtorno mental. O fato de termos redes de serviço que acolhem e atendem pessoas com estes distúrbios, por si, já tem um efeito preventivo. Outro ponto importante, é que ter esta rede permite o acesso de pessoas que nunca tiveram este tipo de problema, mas podem vir a procurar em momentos de dificuldade”, explica.
            
O espiritismo faz a sua parte à medida que ao estudar o fenômeno da sobrevivência da alma após o cometimento do ato extremo leva o potencial suicida a refletir qual será o resultado da ação danosa.
            
Nessa linha, conta-nos Allan Kardec que o gênero de morte influirá sobre o estado de sua alma decisivamente. “Na morte natural, o desligamento se opera gradualmente e sem abalo; frequentemente, ele começa mesmo antes que a vida se extinga. Na morte violenta por suplício, suicídio ou acidente, os laços se rompem bruscamente; o Espírito, surpreendido pelo imprevisto, fica como atordoado pela mudança que nele se opera e não compreende sua situação. Um fenômeno mais ou menos constante, em semelhante caso, é a persuasão em que se acha de não estar morto, e essa ilusão pode durar vários mesmo e mesmo vários anos”.
            
A afirmação de Allan Kardec fundamenta-se, entre outros relatos conduzidos por Espíritos sérios, numa comunicação obtida na Sociedade Espírita de Paris e reproduzida na Revista Espírita, no ano de 1858, com um Espírito que havia comedido o suicídio seis dias antes, na cidade de Paris, no estabelecimento de Samaritana. Indagou Allan Kardec: “Qual o motivo que vos arrastou ao suicídio?”. Resposta: “Morto? Eu? Não... que habito o meu corpo... Não sabeis como sofro! Sufoco-me... Oxalá que mão compassiva me aniquilasse de vez!” Observação de Kardec: “Sua alma, posto que separada do corpo, está ainda completamente imersa no que poderia chamar-se o turbilhão da matéria corporal; vivazes lhe são as ideias terrenas, a ponto de se acreditar encarnado”.
            
Segundo o Ministério da Saúde, são quatro os sentimentos principais de quem pensa em se matar. Todos começam com “D”: depressão, desesperança, desamparo e desespero (regra dos 4D). Caso alguém seja notado com este comportamento, a ajuda pode começar em uma unidade básica de saúde, que é a porta de entrada para os usuários do SUS. Se necessário, o paciente será encaminhado a um serviço de atenção especializada.
            
Outrossim, resta aqui o alerta efetuado pelo “Setembro Amarelo” e para que nos mantenhamos sempre em oração, principalmente em momentos que enfrentamos extremas dificuldades. Não percamos a fé na inteligência suprema e causa primária de todas as coisas.
            
Por fim, não pode se deixar de referir que a prática da prece faz com que estejamos em sintonia elevada e equilibrada, além de ser um ato de amor.

(Referências: Gabriela Rocha. Blog da Saúde. Sítio mundodapsi.com. Allan Kardec. O Que é o Espiritismo. IDE Editora. p. 137-138. Allan Kardec. Revista Espírita. Junho  de 1858. FEB Editora. p. 261).
             
José Artur M. Maruri dos Santos
Colaborador da União Espírita Bageense
Comente: josearturmaruri@hotmail.com

*Coluna publicada pelo Jornal Minuano, em Bagé, em setembro de 2015.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A CAMPANHA PELA PAZ*


Em tempos como os que vivemos atualmente, onde o discurso de ódio pulula em todos os recantos, é necessário que empreendamos uma campanha pela paz.
            
No passado, com a bandeira da liberdade, igualdade e humanidade, os farrapos, inspirados nos ideais da Revolução Francesa, lançaram mãos às armas numa tentativa de dobrar o Império do Brasil.
            
As revoltas, discussões e diálogos de alhures não eram diferentes dos que se estabelecem atualmente à medida que vemos indivíduos receberem a contraprestação pelos seus esforços, já parca, agora, parcelada.
            
Assim, diante de triste cenário, não faltam aqueles que, inspirados pelos antepassados gaúchos, soltem gritos para que nova revolta se faça.
            
No entanto, no momento em que o mundo se agita e sofre, Deus permite que o Espiritismo nos esclareça em torno das lições evangélicas.
            
A Revista Espírita, editada por Allan Kardec, em fevereiro de 1863, trouxe uma dissertação assinada pelo Espírito FD, antigo magistrado, onde ele refere:
            
“Paz, disse o seu Cristo, aos homens de boa vontade!’ Não obtivestes a paz porque não tivestes a boa vontade. A boa vontade, tanto para os pobres quanto para os ricos chama-se caridade. Há caridade moral, como há caridade material; e não a tivestes; e o pobre foi tão culpado quanto o rico. (...) Paz aos homens de boa vontade; sê bendito, tu que amaste; sê feliz, pois trabalhaste pela felicidade do próximo. Meu filho, a cada um segundo suas obras”.
            
Como dissemos, diferentemente do passado, a campanha, hoje, deve ser pela paz, através do amor e da caridade, porque a cada um é dado segundo suas obras.
            
E a caridade, como bem referiu o Espírito, pode ser feita materialmente ou moralmente e aí, a responsabilidade não é apenas dos ricos. Ninguém é impedido de amar por ser pobre. Ninguém é impedido de receber alguém para ouvir suas dificuldades. Ninguém é impedido de tecer palavras de carinho.
            
Nessa linha, o Espírito Humberto de Campos, através da mediunidade de Chico Xavier, conta-nos episódio glorioso onde, depois de Pentecostes, os discípulos de Jesus, empenhados na obra do Evangelho, iniciaram suas campanhas pelas realizações que o Mestre lhes confiara.
            
As dificuldades materiais eram imensas, mas Jesus não havia lhes abandonado e, divinamente materializado, disse, mais uma vez, aos discípulos:
 
Humberto de Campos
           
“- O equilíbrio nasce da união fraternal, e a união fraternal não aparece fora do respeito que devemos uns aos outros... ninguém colhe aquilo que não semeia... Conseguiremos a seara do serviço, conjugando os braços na ação que nos compete; conquistaremos a diligência, aplicando os olhos no dever a cumprir; obteremos a vigilância, empregando criteriosamente os ouvidos; entretanto, para que a harmonia permaneça entre nós, é forçoso pensar e falar a respeito do próximo, como desejamos que o próximo pense e fale sobre nós mesmos...
            
– Irmãos, por amor aos fracos e aos aflitos, aos deserdados e aos tristes da Terra, que esperam por nós a luz do reino de Deus, façamos a campanha da paz, começando pela caridade da língua”.
            
É imperioso que, nos momentos derradeiros pelos quais a Terra está ultrapassando, onde instituições e pessoas estão sendo agitadas, travemos a batalha, não mais pela divisão ou pela espada, mas pela união fraternal no entorno do respeito, do serviço, da vigilância, do amor, da caridade e, principalmente, da paz.    

(Referências: Allan Kardec. Revista Espírita. Fevereiro de 1863. FEB Editora. p. 99. Chico Xavier pelo Espírito Humberto de Campos. No roteiro de Jesus. FEB Editora. p. 226).
            
José Artur M. Maruri dos Santos
Colaborador da União Espírita Bageense
Comente: josearturmaruri@hotmail.com

*Coluna publicada pelo Jornal Minuano ainda em setembro do ano de 2015. Acesse: jornalminuano.com.br

terça-feira, 2 de maio de 2017

OS 25 ANOS DO ECA EM DIÁLOGO COM A MAIORIDADE PENAL*


Analisando a trajetória desses 25 anos, podemos afirmar que o Brasil tomou a decisão certa em adotar o Estatuto” disse Gary Stahl, Representante do UNICEF no Brasil.
            
Em entrevista ao Portal unicef.org, a representante da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) em nosso País, ao celebrar os vinte e cinco do Estatuto da Criança e do Adolescente, analisou o atual modelo de responsabilização penal de adolescentes entre 12 e 18 anos.
            
De acordo com a análise, a criação do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) foi um avanço nesses 25 anos. No entanto, o modelo de responsabilização de adolescentes não está sendo implementado de forma efetiva. Para o UNICEF, o País vive hoje a ameaça de retroceder o caminho que trilhou nos últimos 25 anos, caso seja aprovada a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.
            
Aperfeiçoar o sistema socioeducativo, garantindo que ele ajude a interromper a trajetória do adolescente na prática do delito, é uma das tarefas mais importantes que o País tem diante de si”, diz o relatório.
            
O relatório #ECA25anos foi realizado com o apoio da ANDI – Comunicação e Direitos, uma organização da sociedade civil que atua há mais de 20 anos em defesa dos direitos de crianças e adolescentes por meio de ações na área de mídia e desenvolvimento.
            
O Estatuto da Criança e do Adolescente foi uma das primeiras leis no mundo a traduzir os princípios da Convenção sobre os Direitos da Criança, adotada um ano antes, e se tornou uma referência para outros países.
            
Enquanto alguns ainda insistem em defender um Estado punitivo sobre aqueles que trilham o caminho do crime antes mesmo de completar dezoito anos, baseados no Direito Penal da vingança, outros, não entendem dessa forma.
            
Já dedicamos algumas linhas deste espaço para dialogar com tal temática à luz da Doutrina Espírita e, na oportunidade, dissemos que a proposta do Espiritismo para este dilema é bastante clara, ainda que só possa se concretizar a um médio ou longo prazo.
            
Ela traz na sua base a valorização do núcleo familiar através da educação moral, desde a infância até a juventude.

  
Allan Kardec
A
llan Kardec, na obra Viagem Espírita em 1862, Impressões Gerais, destacou que “(...) é notável verificar que as crianças educadas nos princípios espíritas adquirem uma capacidade de raciocinar precoce, que as torna, infinitamente, mais fáceis de serem conduzidas. Nós as vimos em grande número, de todas as idades e dos dois sexos, nas diversas famílias onde fomos recebidos. Isso não as priva da natural alegria, nem da jovialidade. Todavia, não existe nelas essa turbulência, essa teimosia, esses caprichos que tornam tantas outras insuportáveis. (...)”.
            
O ensino espírita, segundo Allan Kardec, educador por excelência, pode ser um instrumento bastante eficaz na educação moral dessas crianças e jovens à medida que auxilia o trabalho educativo dos pais juntos aos filhos, os afastando das más escolhas e, entre as piores delas, situa-se a delinquência juvenil.
            
É importante que, em tempos onde os discursos de ódio proliferam, valorizemos as conquistas alcançadas e que serviram de exemplo para outros países do orbe terrestre. E uma dessas conquistas foi a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente há 25 anos.
            
Ao celebrarmos importante data, reflexionemos sobre as suas dificuldades e seus avanços ampliando o diálogo de afirmação da educação e da vida.
            
...a criança é o futuro, com a preocupação de que os princípios do bem ou do mal que inocularmos na formação do mundo infantil são vantagens ou desvantagens para nós mesmos, uma vez que o porvir nos espera, de modo geral, em novas existências” (Chico Xavier. Encontros no Tempo, item 47).
             
José Artur M. Maruri dos Santos
Colaborador da União Espírita Bageense
Comente: josearturmaruri@hotmail.com

*Coluna publicada pelo Jornal Minuano, em Bagé/RS, em setembro de 2015. Acesse: jornalminuano.com.br

sexta-feira, 28 de abril de 2017

SEMANA NACIONAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA*

União Espírita Bageense - Caminho da Luz
No dia de ontem encerrou a Semana Nacional de Valorização da Pessoa com Deficiência. Entidades como o Caminho da Luz, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais e a Associação Bageense dos Deficientes Físicos proporcionaram diversas atividades em suas sedes e algumas em conjunto.
            
Atualmente a pessoa com deficiência tem estado no centro de diversas discussões, encontros, seminários e simpósios, no entanto, nem sempre foi assim.
            
Podemos falar em acolhimento da pessoa com deficiência após o advento do Cristianismo, especialmente, em torno da figura amorável do Mestre Jesus que exemplificou o amor de forma ampla e irrestrita.
            
Nessa linha, o Espiritismo, com uma visão integral do Espírito, ou seja, focado na preexistência da alma e sua imortalidade, oferece o entendimento necessário para que possamos adquirir o entendimento necessário que terá como conseqüência única o acolhimento com amor.
            
Na obra “O Que é o Espiritismo”, Allan Kardec indaga da plêiade de Espíritos Superiores o seguinte: “- Por que há pessoas que nascem cegas, surdas, mudas ou afetadas por doenças incuráveis, enquanto outras têm todas as vantagens físicas? É o efeito do acaso ou da Providência?” – obtendo a seguinte resposta: “- Se é o efeito do acaso, não há Providência; se é o efeito da Providência, pergunta-se, onde está sua bondade e sua justiça? Ora, é por não entender a causa desses males que muitas pessoas são levadas a acusar Deus. (...) Admitindo-se a justiça de Deus, deve-se admitir que este efeito tem uma causa; se essa causa não pertence à vida presente, deve ser de antes dessa vida, visto que em todas as coisas a causa deve preceder o efeito; para isso faz-se, pois, necessário que a alma haja vivido e merecido uma expiação”.
            
Na mesma obra, Allan Kardec pergunta: “Por que há idiotas e cretinos?” (doenças de ordem mental), obtendo como resposta. “A posição dos idiotas e dos cretinos seria a menos conciliável com a justiça de Deus, na hipótese da unicidade da existência. Por miserável que seja a condição na qual um homem nasceu, ele pode dela sair pela inteligência e pelo trabalho; mas o idiota e o cretino são votados, desde o nascimento até a à morte, ao embrutecimento e ao desprezo; não há para eles nenhuma compensação possível. Por que, pois, sua alma teria sido criada idiota? Os estudos espíritas, feitos sobre os cretinos e os idiotas, provam que sua alma é tão inteligente quanto a dos outros homens; que essa enfermidade é uma expiação infligida aos Espíritos por terem abusado da sua inteligência, e que sofrem cruelmente em se sentirem aprisionados nos laços que não podem quebrar, e nos desprezo do qual se vêem objeto, quando, talvez, tenham sido incensados na sua existência precedente. (Revista Espírita, 1860, pag. 173: O Espírito de um idiota – idem, 1861, p. 311: Os cretinos)”.
            
A União Espírita Bageense – Caminho da Luz teve a satisfação de receber a todos aqueles que compareceram para conhecer suas atividades ao longo da semana e convida para que possam estar cada vez mais unidos às dificuldades daqueles que reencarnaram com alguma deficiência.
            
“Deficiente é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino”. Mário Quintana
           
José Artur M. Maruri dos Santos
Colaborador da União Espírita Bageense

Comente: josearturmaruri@hotmail.com

*Publicado no Jornal Minuano, em Bagé/RS, em agosto de 2015.

quinta-feira, 2 de março de 2017

SIMEÃO E O MENINO*

O texto a seguir, extraído da obra No Roteiro de Jesus, organizada por Gérson Simões Monteiro e editada pela FEB Editora, com textos escritos pelo Espírito Humberto de Campos em psicografia de Francisco Cândido Xavier, faz com que coloquemos inúmeras vírgulas em nossos discursos carregados de preconceito e, porque não dizer, ódio.
            
Jesus, ainda menino, deixa-nos lição sublime de como podemos atuar de forma digna, responsável e amorosa, sem a necessidade de esperarmos contrapartida. Que o amor do menino Jesus nos envolva a todos indistintamente.
            
“Dizem que Simeão, o velho Simeão, homem justo e temente a Deus, mencionado no evangelho de Lucas, após saudar Jesus criança, no templo de Jerusalém, conservou-o nos braços acolhedores de velho, a distância de José e Maria, e dirigiu-lhe a palavra, com discreta emoção:
            
- Celeste Menino – pergunto o patriarca -, por que preferiste a palha humilde da manjedoura? Já que vens representar os interesses do eterno Senhor na Terra, como não vestiste a púrpura imperial? Como não nasceste ao lado do Augusto, o divino, para defender o flagelado povo de Israel? Longe dos senhores romanos, como advogarás a causa dos humildes e dos justos? Por que não viste ao pé daqueles que vestem a toga dos magistrados? Então, poderias ombrear com os patrícios ilustres, movimentar-te-ias entre legionários e tribunos, gladiadores e pretorianos, atendendo-nos à libertação... Por que não chegaste, como Moisés, valendo-se do prestígio da casa do faraó? Quem te preparará, Embaixador do Eterno, para o ministério santo? Que será de ti, sem lugar no Sinédrio? Samuel mobilizou a força contra os filisteus, preservando-nos a superioridade; Saul guerreou até a morte, por manter-nos a dominação; Davi estimava o fausto do poder; Salomão, prestigiado por casamento de significação política, viveu para administrar os bens enormes que lhe cabiam no mundo... Mas... Tu? Não te ligaste aos príncipes, nem aos juízes, nem aos sacerdotes... Não encontrarias outro lugar, além do estábulo singelo?!...
            
Jesus menino escutou-o, mostrou-lhe sublime sorriso, mas o ancião, tomado de angústia, contemplou-o mais detidamente, e continuou:
            
- Onde representarás os interesses do supremo Senhor? Sentar-te-ás, entre os poderosos? Escreverás novos livros da sabedoria? Improvisarás discursos que obscureçam os grandes oradores de Atenas e Roma? Amontoarás dinheiro suficiente para redimir os que sofrem? Erguerás novo templo de pedra, onde o rico e o pobre aprendam a ser filhos de Deus? Ordenarás a execução da lei, decretando medidas que obriguem a transformação imediata de Israel?
            
Depois de longo intervalo, indagou em lágrimas:
            
- Dize-me, ó divina criança, onde representarás os interesses de nosso supremo Pai?
            
O menino tenro ergueu, então, a pequenina destra e bateu, muitas vezes, naquele peito envelhecido que inclinava já para o sepulcro...
            
Nesse instante, aproximou-se Maria e o recolheu nos braços maternos. Somente após a morte do corpo, Simeão veio a saber que o Menino celeste não o deixara sem resposta.
            
O infante sublime, no gesto silencioso, quisera dizer que não vinha representar os interesses do Céu nas organizações respeitáveis mas efêmeras da Terra. Vinha da casa do Pai justamente para representá-lo no coração dos homens.
            
(Mensagem extraída do livro Pontos e contos, cap. 25)”.

           
José Artur M. Maruri dos Santos
Colaborador da União Espírita Bageense

Comente: josearturmaruri@hotmail.com

*Coluna publicada pelo Jornal Minuano, entre os dias 15 e 16 de agosto de 2015, também podendo ser acompanhada pelo jornalminuano.com.br.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A MANSUETUDE COMO AGENTE TRANSFORMADOR*

Emmanuel
O Espírito amigo Emmanuel, através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier, fala-nos para que não convertamos a emoção em bomba de cólera a explodir-nos na boca.
            
Ainda que o prejuízo seja inevitável, é imperativo que a nossa língua não chicoteie os semelhantes.
            
A lição do Benfeitor Espiritual tem como fundamento uma máxima do Mestre Jesus: “Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a Terra. (Mateus, v: 4)”.
            
Segundo Allan Kardec, com essa máxima, Jesus estabeleceu como lei a doçura, a moderação, a mansuetude, a afabilidade e a paciência, condenando, em contrapartida, a violência, a cólera, e até mesmo toda expressão descortês para com os semelhantes.
            
Ainda na edição de ontem do JORNAL MINUANO, o jornalista Orlando Brasil fez uma constatação pontual com relação às “gentilezas”, a qual eu peço vênia para reproduzir: “(...) hoje, as pessoas confundem ter personalidade com atitudes desrespeitosas. O respeito, para muitos, soa como submissão. E não é bem assim”.
            
Uma atitude desrespeitosa pode ter inúmeras origens, mas uma delas, com certeza, é a irritação enfermiça, e tal ação não poderá ser agravada por nós, sob pena de estarmos adentrando num campo de perigo.
            
Allan Kardec amplia ainda mais o nosso horizonte quando refere: “Toda palavra ofensiva exprime um sentimento contrário à lei de amor e caridade, que deve regular a relação entre os homens, mantendo a união e a concórdia. É um atentado, à benevolência recíproca e à fraternidade, entretendo o ódio e a animosidade. Enfim, porque depois da humildade perante Deus, a caridade para com o próximo é a primeira lei de todo cristão”.
            
É nosso dever contribuir com uma sociedade mais fraterna, mais benevolente. E para tanto é necessário que nos posicionemos entre os mansos e pacíficos, porque até os dias atuais parece que os bens da Terra ainda estão na posse dos violentos, mas nem sempre será assim.
            
Aproximam-se os dias em que o amor e a caridade serão a lei maior da humanidade, não havendo mais egoísmo, o fraco e o pacífico não serão mais explorados e espezinhados pelo forte e o violento. Nesse dia, segundo a lei do progresso e a promessa de Jesus, a Terra estará transformada num mundo feliz.
            
Se alguém te lança em rosto o golpe da intemperança de espírito ou se te arroja a pedrada do insulto, desculpa irrestritamente, e, se volta a ferir-te, é indispensável te reconheças na presença de um enfermo em estado grave, a pedir-te o amparo do entendimento e o socorro da compaixão” Espírito Emmanuel.

(Referências: Chico Xavier e Waldo Vieira por Espíritos diversos. O Espírito da Verdade. FEB Editora. 137-138. Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB Editora. Cap. 9. Itens 01, 04 e 05. Jornal Minuano. Edição nº 5.114 de 07 de agosto de 2015, p. 02).
           
José Artur M. Maruri dos Santos
Colaborador da União Espírita Bageense

Comente: josearturmaruri@hotmail.com

*Coluna publicada pelo Jornal Minuano que circulou em Bagé e região entre os dias 08 e 09 de agosto de 2015 e que também pode ser acompanhado pelo portal jornalminuano.com.br

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

MOISÉS E SUA CONDIÇÃO DE FÉ INABALÁVEL*

Moisés - o libertador dos hebreus
Em dado momento, o povo hebreu estava a retirar-se de um Egito ainda atônito com a figura resplandecente de Moisés. Antes, um príncipe egípcio investido em todas as suas prerrogativas, agora, depois de anos afastado do reino, um semblante transformado, renovado profundamente.
            
Não havia dúvidas que o Libertador dos hebreus havia sido tocado por Deus.   Moisés, que antes vivia sem qualquer fé nos deuses egípcios, os quais eram cultuados e idolatrados de forma estéril, mais tarde, apresentava-se diante do Faraó Ramsés firme e convicto em seu propósito, numa condição que o Espiritismo denomina de “fé inabalável”.
            
O culto às imagens sempre vem revestido de práticas exteriores, contribuindo, com isso, apenas com o aumento do número de incrédulos, porque tais práticas, segundo Allan Kardec, exigem a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: o raciocínio e o livre-arbítrio.
            
Para Moisés não bastava nem a fé cega de seu povo em um Deus que, segundo eles, os havia abandonado, em vista da escravidão e da fome por qual passavam e, tampouco, a fé em deuses que exemplificavam apenas a idolatria e a prática exterior.
            
Moisés, um Espírito a frente de seu tempo, com uma inteligência peculiar, esteve por anos sedento de algo que, supunha ele, ainda não conhecia. Dessa forma, as longas conversas que teve com Deus em suas meditações, após o êxodo do Egito, mataram sua sede de compreensão. Ele adentrara no campo da fé raciocinada, apoiado nos fatos que lhe eram apresentados e na lógica, que nenhuma obscuridade deixa.
            
Este é um dos problemas da sociedade atual. As provas da preexistência e imortalidade da alma jorram aos borbotões, mas as pessoas fogem de observá-las. Alguns ainda fazem pouco caso, outros sentem o temor de serem forçados a mudar de hábitos, mas na maioria, não existe nada além do orgulho, negando-se a reconhecer a existência de uma força superior, porque teriam que se curvar diante dela.
            
Moisés cria, porque tinha certeza, e ninguém tem certeza senão porque compreendeu.
            
Contudo, não existem almas privilegiadas e nem seres que atingem a perfeição sem antes estagiar em condições inferiores, do contrário teríamos a negação da Lei do Progresso e do Trabalho, por isso, assim como Moisés, temos a plena condição de compreender, pelos fatos e pela lógica, renovando-nos para assumir uma condição verdadeiramente humilde diante do Criador, sem deixar de trabalhar pelo amor, pela caridade e pela libertação das consciências.
Ewerton Quadros
            
“O Espiritismo nos oferece a verdadeira confiança, raciocinada e renovadora; eis por que o espírita não está condenado a atividade inexpressiva ou vegetante. Caridade é dinamismo do amor. Evangelho é alegria. Não é sistema de restringir as idéias ou tolher as manifestações, é vacinação contra o convencionalismo absorvente”. Espírito Ewerton Quadros.

(Referências: Chico Xavier e Waldo Vieira por Espíritos diversos. O Espírito da Verdade. FEB Editora. 129-130. Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB Editora. Cap. 25. Item 9, p. 302).
           
José Artur M. Maruri dos Santos
Colaborador da União Espírita Bageense

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*Coluna publicada pelo Jornal Minuano, Bagé, que circulou entre os dias 01 e 02 de agosto de 2015 podendo, também, ser acompanhado pelo jornalminuano.com.br.